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quarta-feira, março 16, 2016

Nem todo cabelo joãozinho é um big chop

Eu tenho um sério problema com tesouras. Não posso vê-las e já quero sair cortando o meu cabelo.

Há algumas postagens atrás, eu havia contado sobre o meu novo (agora antigo) corte de cabelo e de como eu estava feliz com ele. Apesar de prático, bonito e de me poupar tempo para arrumar o cabelo, esse corte tem o seu ponto negativo, que é quando o cabelo começa a crescer.

Sim, pois quem quer manter esse corte por muito tempo, precisará fazer manutenções regulares e eu já estava com saudades de ter meu black grande de novo. Por isso, não arrumei o corte e deixei o cabelo crescer, o que logo começou a ficar "esquisito". Resolvi que o melhor a fazer era cortar o cabelo para voltar a ter meu black power de volta. 

Confesso que não esperava que meu cabelo ficasse tão curto, mas gostei do resultado. Estou com o mesmo cabelo que tive quando fiz o meu BC e estou feliz pois eu AMO cabelo curtinho. Sei que muitas crespas e cacheadas na rua me olham achando que acabei de fazer o bc e que estou iniciando na jornada rumo ao cabelo natural. Mal elas sabem que estou nessa jornada há 4 anos! 

Cabelo cresce. No meu caso, demora, mas cresce. Continuo desapegada a isso. Não quero seguir ditaduras do tipo: cabelo crespo tem que ter cacho, tem que ter luzes, tem que ser grande e bafônico. Afff... isso me dá sono. A única regra que sigo é a do meu espelho: quero me olhar e me sentir bem com o que vejo. O importante é sentir amor de dentro pra fora e não o contrário, esperando a aprovação dos outros. À merda a opinião dos outros! 


segunda-feira, abril 27, 2015

32 mesese e um pouco de mimimi

Já fazem dois anos e 8 meses desde que fiz o meu big chop. Como tempo passa rápido! 

Lembro-me de como eu estava ansiosa para que o tempo passasse logo e o meu cabelo crescesse rápido. A trajetória foi divertida: no começo, eu não tinha muita certeza se manteria o meu cabelo ficaria crespo para sempre. No fundo, a intenção era ter cachos e não o cabelo natural. Estava disposta a fazer um permanente. 

Mas, conforme o joão foi crescendo, aprendi a amá-lo e, consequentemente,  a me amar com o cabelo natural. Descobri que meu cabelo não era tão ruim quanto eu imaginava que fosse (aliás, ruim ele era antes com tanta química) e que Deus sabe o que faz: foi esse o cabelo que Ele me deu e, de fato, eu combino muito mais assim. Aliás, ainda estou para ver uma mulher que ficasse feia após assumir o cabelo natural.

O lado bom ou ruim de se dar conta do quanto o tempo passou é ver o resultado alcançado. No meu caso, estou bem chateada.

Chateada porque, após 32 meses, meu cabelo continua curtíssimo.

Chateada quando lembro que merda eu fiz ao decidir "aparar as pontinhas" no Beleza Natural e voltei a ficar joãozinho...

Chateada porque vejo garotas que após poucos meses de big chop já exibem um black imenso e maravilhoso. 

Chateada porque vejo o cabelo da minha irmã, que tem o cabelo bem parecido com o meu, mas que não tem os mesmos cuidados que eu tenho e ainda assim o black dela está imenso e lindo.

Eu sei que cada organismo é diferente, que os produtos que usamos no nosso cabelo agem de forma diferente em cada pessoa. Mesmo assim, é inevitável não desanimar. Já usei  Monovin A, shampoo bomba, tônicos capilares... Agora tô usado shampoo de cavalo.



Não estou arrependida de ter feito big chop. Muito pelo contrário! Foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida. Não quero recorrer à químicas para "abrir o cacho" ou mudar a estrutura do meu cabelo. Não me importo que o meu cabelo não caia na testa. 

Eu quero que meu cabelo cresça, não importa se pra cima, se ele caia com o peso... eu só quero que pareça que eu estou há quase 3 anos natural! 

Acredito muitas garotas devem ter sentido o mesmo que eu. Sei que adiantar não vai ajudar em nada, mas sim aumentar os cuidados e pôr em prática o Projeto Rapunzel.

Se alguém tiver dicas para me ajudar, agradeço!





quarta-feira, novembro 26, 2014

Ser negra

Momento desabafo.

Porque eu sinto que preciso desabafar. Não sei se outras garotas que passaram por esse processo de afirmação da etnia passaram pelo que passei. Até hoje nunca li a respeito nessas minhas buscas por informações sobre a fase de transição, nessa fase de assumir o cabelo natural. A troca de informações é sempre em relação a produtos, acessórios, técnicas... mas, e a parte social?

Um blog que tem mostrado essa consciência é o Meninas Black Power, com muitos questionamentos sobre toda a questão social que envolve ser negro. Quem é negro sabe que muitas vezes não é fácil. Fomos e continuaremos sendo boicotados em diversos aspectos. E quando começamos a conquistar ou reivindicar o nosso espaço, incomodamos. É e será assim em relação às políticas de cotas; é e será assim em relação ao mercado de trabalho, é  e será assim em relação à padrões estéticos. 

Agora que estou com o cabelo completamente crespo, parece que de fato me tornei negra. Parece loucura e idiotice chegar a essa conclusão, já que ser negro é uma coisa meio óbvia. Quem olhar pra mim verá que sou negra. Mas a diferença está em ser uma negra tentando negar a sua identidade, ou ser uma negra com o "kit completo". 

Do que estou falando, afinal?

Bom... um exemplo que posso usar é como se olha para a Beyoncé e para a irmã dela, Solange. As duas são negras, mas quem causa mais impacto? Arriscaria dizer: quem é mais negra?

Loucura, né? Sei que estou viajando... mas tudo isso é pra chegar a um ponto.

Antes do BC, não havia problema nenhum me chamar de "nega". Esse é um tratamento carinhoso que se tem hoje em dia entre brancos, negros, ruivos, amarelos... Mas agora que sou uma "negra com kit completo", parece que me chamar de "nega" se torna um insulto! 

Isso aconteceu com um amigo, que sempre me tratou assim. Após o big chop, a forma de tratamento mudou... passei a ser apenas "Aline". Às vezes, ele tentava soltar um "nega" pra mim, mas logo hesitava. E isso me irritava profundamente, principalmente por ele sempre ter levantado a bandeira de que admirava os negros, que achava linda as negras com seus crespos, black power...  (de tanto ouvir discursos assim eu fico com um pé atrás de pessoas que falam isso). O fim da história é que nesse pouco tempo ele foi se afastando de mim até que a nossa amizade acabou por completo. Se foi  este exatamente o motivo eu não sei, mas sinto que isso contribuiu bastante.

Outras atitudes das pessoas que me incomodaram: por eu ter assumido o meu crespo e por estar feliz, radiante, com a auto estima lá em cima, eu me tornei uma negra metida. Porque negro com vaidade é metido. Negro não pode ter vaidade e autoestima elevada. Negro tem que ficar escondido, no seu cantinho, sem chamar a atenção. 

Já tinha visto isso acontecendo com outras pessoas, de ouvir comentários do tipo: "Nossa, ela se acha. Se ainda fosse loira, dos olhos claros, tudo bem!" Senti isso na pele dentro da minha própria casa! Eu tive uma criação antiga, onde os meus pais foram ensinados que o negro tem que se acostumar com o que for oferecido e não buscar melhorias. Mas, se eu consegui evoluir um pouco o pensamento, por que outras pessoas dentro de casa não?

Esse é o outro lado da moeda em se fazer a transição. É claro que os prós são infinitamente maiores que os contras. E isso não me fará voltar atrás.

terça-feira, julho 30, 2013

BC or not BC?

Em maio fez um ano que estou completamente livre de relaxamentos químicos no cabelo! Um ano!!!! E em agosto fará um ano do meu BC! O tempo passou e eu nem vi! Lembro que o medo e a ansiedade eram grandes, achava que o meu cabelo não iria crescer, ou iria demorar muito, que eu não iria aguentar e voltar a usar química...

Mas a cada dia eu fui me acostumando com o meu novo cabelo, o que sempre esteve comigo e eu nunca quis assumir, tipo uma mãe que renega o próprio filho. A cada dia fui gostando mais dele, ficando feliz quando ele respondia bem a um tratamento, preocupada quando ele ficava esquisito, orgulhosa quando elogiavam o joãozinho... tipo uma mãe mesmo! E o meu joãozinho agora está adolescente.

Sei que ainda peco demais em relação a cuidados: não consigo seguir cronogramas capilares, não abandonei as lavagens diárias pois ainda não consigo ter um day after satisfatório, abuso no uso de afro puff e isso tem contribuído demais com a quebra dos fios da frente da cabeça. Sem contar a falta de criatividade em adotar diferentes penteados ou utilização de acessórios no cabelo, etc, etc e etc...

Mas, como a postagem é sobre o tão temido big chop, fica aí o meu testemunho para quem ainda tem dúvidas: avalie se é isso mesmo que você quer e aja da melhor maneira possível. 

Se você realmente quer assumir o seu cabelo natural e acha que consegue passar pela transição, faça! Se for como eu, que não tem paciência e acha que voltará atrás (assim como eu voltei outras vezes), quer ver resultados imediatos, quer começar do zero, faça!

Minha irmã ficou um ano na transição. Enquanto isso, ela ficou dependente de coques e ia cortando aos poucos. Até que eu a incentivei a fazer o BC e ela deixou que eu cortasse a parte com química do seu cabelo. Nos primeiros dias, ela se estranhou, achou o cabelo muito curto, ficou um pouco arrependida. Com isso, eu fiquei triste também, pois fui eu quem a incentivou e quem cortou o seu cabelo, achei que não deveria ter me metido tanto nessa decisão.

Passado alguns dias, ela me contou que foi a melhor coisa que ela tinha feito: o cabelo estava quebrando menos, estava respondendo melhor aos tratamentos, estava se sentindo mais bonita e estilosa.

O que eu posso dizer sobre a minha experiência é que cabelo é acessório e ele cresce! Não podemos pensar na opinião dos outros pois ninguém sabe o quanto a gente sofre ou está satisfeita com os nossos cabelos. Quando cortei, não me importei com opiniões alheias. Eu me senti tão livre e fiquei tão orgulhosa de mim mesma ao tomar essa atitude! Hoje está mais comum ver carecas na rua, mas na época em que cortei não via nenhuma e isso fazia eu me sentir "a estranha" do pedaço, apesar de receber mais elogios naquela época do que atualmente.

O post ficou enorme! Mas esse blábláblá todo foi só para contar a minha experiência sobre o BC e quem sabe ajudar a outras meninas que estejam em dúvidas quanto a fazê-lo. Meu cabelo cresceu e agora a jornada é outra.


quinta-feira, agosto 16, 2012

Motivações

Solange Knowles

Quando comecei a relaxar os cabelos (lá pelos 14,15 anos de idade), eu usava muita chapinha. Aprendi a técnica sozinha e até que conseguia dar um bom efeito no cabelo. Porém, com o tempo, o meu cabelo foi ficando muito fraco e quebradiço. Chegou uma época que eu tive que cortá-lo bem curtinho e a partir de então resolvi usar chapinha apenas para ocasiões especiais (mas é claro que, graças ao incentivo das pessoas, acabei pranchando os cabelos mais vezes do que gostaria).

Passei a usar o cabelo sem prancha e dessa maneira eu tentava cacheá-lo usando ativadores de cacho, apertando com pano, etc, para dar o enfeito encaracolado aos fios. Hora ficava bom, hora ficava esquisito, não dava pra saber afinal qual era a do meu cabelo: liso ou cacheado?

A primeira vez que resolvi ficar sem usar química foi pensando em mudar de guanidina para amônia, pois assim eu poderia fazer permanente e os cachos ficariam mais definidos. Mas é muito difícil ficar tanto tempo sem relaxar o cabelo. Ele começa a ficar feio, fraco, quebradiço, e super difícil de pentear. Costumo comparar a fase de transição como a fase em que os drogados se tratam para se livrar do vício. Eu não resisti e taquei alisante nele! E isso aconteceu diversas vezes, acredito que por 3 vezes desde 2009, quando resolvi mudar a química que usava.

Até então eu nem cogitava a possibilidade de usar meu cabelo natural. A primeira vez que vi que isso era possível e que haviam pessoas fazendo isso foi através do blog da Fernanda, mas especificamente a postagem sobre a transição do cabelo dela. Cara, confesso que fiquei louca! Queria que o meu cabelo ficasse igual ao dela, loiro, cacheadinho e lindo daquele jeito!

Depois disso, já parei e voltei a usar química várias vezes. Mas este ano foi decisivo, quer dizer, tive uma recaída, tive vários looks em apenas 8 meses e pra acabar com a palhaçada passei a tesoura no que me atrapalhava (em vários sentidos da palavra).

Esse vídeo feito pela cineasta Zina Saro-Wiwa foi decisivo para que eu resolvesse fazer o big chop.

Daí, com os cabelos curtinhos, desesperada sem saber o que fazer com eles, joguei alguns termos em inglês no querido google, que me remeteu ao termo TWA (teeny weeny afro). E assim, fui levada ao cabal da Bambiix2. Ela postou vários vídeos desde a época em que ela decidiu fazer o BC até agora, com o cabelo imenso. Nesse momento ela está sendo uma grande inspiração pra mim. Ela criou três vídeos com dicas de como se manter feminina depois do BC, o que me ajudou muito a não cair em depressão pós corte hahahaha!




Ver fotos nos tumblrs http://fuckyeahprettytwas.tumblr.com e http://twasftw.tumblr.com/ também me ajudam a me manter motivada e a não derrubar a auto estima.

Bom, com o tempo vou postando mais "descobertas" e registrando minha saga rumo ao black perfeito.







Tudo novo


Não sei muito bem como começar a minha primeira postagem... hum.. que tal contando os motivos que me levaram a montar um?

Bom, a intenção de criar um blog não é para me promover, ou porque eu seja viciada nos assuntos que quero tratar aqui (apesar de estar viciada sim, no momento). Criei o Crespim, sim! como uma forma de selar um compromisso  com os cuidados com os meus cabelos.

Hein? Como assim? Do que ela tá falando?

Acho melhor contar brevemente a minha "saga".

Fazem 5 dias que eu cortei o meu cabelo "joãozinho". Aliás, esse era o meu apelido entre as minhas irmãs até os meus 7 anos de idade, por que de todas o meu cabelo sempre foi o mais curto, nunca conseguia fazer um rabo de cavalo. E pra "piorar", o meu cabelo é super crespo. Relaxo os cabelos com guanidina desde os 14 anos (na verdade, comecei com hidróxido de sódio e aos 16 mudei pra guanidina) e hoje, aos 25 anos, resolvi dar adeus à essa agreção ao meu corpo. 

Sim, guanidina é uma agressão, pois machuca o couro cabeludo. Quem usa, sabe o mal que faz. Sem contar que estraga demais os cabelos. E mesmo com tanto tempo relaxando os cabelos, eu nunca estava satisfeita, nunca senti que eles eram bonitos.

Há alguns anos eu tenho vontade de ter cabelos cacheados, pois vivi prisioneira da chapinha por mais de 5 anos. Após alguns episódios de queda capilar brusca, joguei a chapinha fora (maneira de dizer, hehe, tenho guardada uma Taiff, ótima, mas que usei pouquíssimas vezes) e resolvi q usaria o cabelo "natural", ou seja, apenas com o efeito do relaxamento. Então eu enchia o cabelo de creme de pentear e definia os cachos amassando com toalha, pomada, etc. E foi assim por todo esse tempo.

E essa ladainha toda é para que?

Em resumo, o blog é para eu registrar e, assim, me comprometer, o meu processo de transição. Sim, por que eu deu adeus a relaxantes e resolvi assumir o meu cabelo natural. E ao tomar essa decisão, um novo mundo se apresentou pra mim. Descobri que os três meses sem relaxar os cabelos e ficar com as raízes "gritando" tem nome: fase de transição. Eu sou muito impaciente e tomei uma decisão radical no último final de semana: cortei todo o cabelo (pra não ter que raspar) que tinha química. E descobri que isso também tem nome! BIG CHOP, ou grande corte. Estou bigshopada! E como eu tenho só três ou quatro centímetros de raíz, meu cabelo está "joãozinho". Isso me remete às minhas tristes memórias infantis (hhueuheue), ma descobri também que na verdade, o nosso cabelo "joãozinho" chama-se teennie weenie afro (ou TWA) nos EUA. 

UAU!!!

Estou descobrindo tantas coisas e quero compartilhar tudo o que tenho aprendido com quem passou pelo mesmo martírio que eu e quer acabar com isso. O que conheço de gente que estão com os cabelos estragados e quase ficaram carecas por causa de químicas no cabelo não tá no gibi. 

Então o blog me ajudará a me dedicar a cuidar do meu cabelo crespim, a trocar experiências e a compartilhar tudo o que tenho aprendido. Por que a demora para eu me livrar das químicas e aceitar meu cabelo tal qual como ele é deve-se sobretudo a falta de informação. E eu, como pedagoga e futura bibliotecária, sinto a necessidade de disseminar informações.

Então é isso. Pra quem estiver afim de acompanhar a minha luta, sinta-se a vontade! Acredito que será muito divertido.

Beijos!