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quarta-feira, dezembro 20, 2017

Dicas para viajantes - parte 1


Eu amo viajar.

O ano de 2017 foi especial para mim pois viajei bastante (menos do que eu gostaria e mais do que eu esperava). Estive em Salvador, São Luis do Paraitinga, praias do litoral norte de São Paulo, Capitólio e neste momento estou escrevendo diretamente da Noruega. Daqui, farei algumas trips para cidades da região de Rogaland, Amsterdã e Copenhagen, e iniciarei o ano indo para Oslo.

Viajar é um imenso prazer. Quando a gente começa, não dá mais vontade de parar. Sempre que surge uma oportunidade, caio na estrada. Muitas pessoas pensam que é preciso gastar rios de dinheiro para viajar, ou que só pessoas com um melhor poder aquisitivo podem viajar. Eu posso dizer com toda a certeza que isso não é verdade e que todos podemos passar por essa experiênica.

Na primeira parte desse post, eu vou listar algumas dicas para quem sempre quis viajar, mas acha que isso é complicado ou impossível. Essas são as dicas básicas que funcionam para mim, mas com certeza existem viajantes bem mais experientes que possuem dicas melhores que as minhas. 

  • Não é só rico que viaja
Deixe de lado o pensamento de que é preciso ser rico ou ganhar rios de dinheiro para viajar. Com planejamento, conseguimos realizar quase tudo em nossas vidas;
  • Realizar sonhos requer romper com alguns hábitos e pessoas 
Não somos ricos e nem ganhamos rios de dinheiro, certo? Mas isso não quer dizer que precisamos deixar de realizar o sonho de viajar para aquele lugar que só damos like no Instagram ou que um colega (ou um youtuber) recomendou. Para atingirmos esse objetivo, teremos que abrir mão de algumas coisas, como aquelas brusinhas que compramos todo mês ou daquele namorado que não gosta de viajar, mas não te deixa ir até a esquina sozinha, ou dos amigos que te fazem gastar dinheiro nas happy hours e baladas da vida.

  • Pare de gastar
Assumimos muitos gastos extras por falta de tempo mas se pensarmos bem, é possível repensar muitas coisas. Gastos apenas com o essencial. Corte todas as despesas que não forem importantes. Seja adepta ao DIY (faça você mesmo) para tudo o que for possível: manicure, depilação, cabeleireiro, até mesmo com a diarista. Também dá para repensar se é mesmo necessário sair com os amigos todos os finais de semana em barzinhos ou baladas. Mesmo dividindo, ainda gastamos bastante. Compartilhar com os amigos é importante, mas precisa ser todos os finais de semana? 
Vale também repensar gastos com vestuário. Preciso mesmo de uma brusinha e de um sapato novo todo mês? Preciso comprar roupa nova pra cada evento que aparece? Parece besteira e repetitivo, mas cada 30, 50 reais que economizamos é um passo a mais que damos para realizar a nossa viajem.

  • Guarde dinheiro
O que fazer com todo esse dinheiro que economizei? A viagem está programada para daqui a alguns meses ou não tem data definida. O que acontece muito comigo é o dinheiro continuar na conta e surgir algum imprevisto. Então para evitar gastar o dinheiro para viagem, eu salvo uma parte do dinheiro para emergências e outra para a viagem. Para emergências, por exemplo, deixo o dinheiro na poupança. Para a viagem, aplico em Tesouro Direto. Diversos sites explicam como investir em TD. É prático e rende mais do que a poupança. 

  • De olho nas promoções
No próximo post falarei mais sobre isso, mas o que me ajuda bastante é ficar de olho nas promoções de passagens, pacotes, grupos de viagem, etc. Tenho cadastro em sites como Melhores Destinos, Decolar, Hotel Urbano, Viajanet e até no Click Bus, que me enchem de spams mas me informam sobre promoções e descontos que poderão ser úteis. Para não encher a minha caixa de entrada com esses spams, eu criei uma pasta específica onde esses e-mails são automaticamente direcionados para lá. Daí de vez em quando eu dou uma olhada e limpo a pasta. Outra forma legal de economizar é viajar com empresas especializadas em organizar viagens em grupo. Eu fui para São Luiz do Paraitinga conferir a Festa do Divino  e para Capitólio nesse esquema, e saiu muito mais em conta do que seu fosse sozinha. O Facebook é uma ótima ferramenta para encontrar essas empresas.

  • Conte com os amigos e conhecidos
A gente sempre tem um amigo que conhece alguém que mora em algum lugar interessante. Essas pessoas podem nos ajudar fazendo indicações de passeios, hotéis, onde comer mais barato, quando ir, etc. Quando somos turistas, acabamos gastando muito mais do que quem mora no local. Por isso, nada melhor do que receber essas indicações. Também pode acontecer de conseguirmos descontos ou até mesmo itens na faixa graças ao nosso amigo. Já consegui hospedagem na casa da família de amigos ou alugar um apartamento por um valor simbólico graças a essas amizades.

  • Se vai para o exterior, compre moedas aos poucos
Nada de deixar para a última hora a compra de moedas estrangeiras. O câmbio varia diariamente, por isso é importante acompanharmos o sobe e desce para comprar moedas com as melhores taxas. Além disso, comprar aos poucos nos permite comprar moedas em menor valor e aos poucos, conseguir um bom montante.

  • Modere com os luxos
Economizar durante a viagem é essencial. Quando pesquisamos sobre um determinado  destino, é comum que sejam recomendados os melhores hotéis e restaurantes da região. Mas já que não somos ricos, nem sempre dá pra esbanjar e gastar dinheiro nestes locais. Além disso, nem todo hotel com menos de 5 estrelas é ruim e nem todo restaurante famoso é o melhor.

Quando eu viajo, dou preferência em me hospedar em hostels, muito mais em conta que um hotel. e estiver em casal ou com filhos, a melhor pedida é reservar uma casa de temporada, de preferência pelo Air BnB, que sai mais barato do que locando diretamente com o proprietário. Com relação a gastronomia, eu não faço questão de ir a um local específico, a não ser que ele seja altamente recomendado e o peço não for absurdo. Mas eu gosto de experimentar a comida local, que geralmente é ofertada em diferentes lugares.

  • De olho nas recomendações
Nesses casos, vale muito a pena trocar experiências com pessoas que moram ou já foram a estes locais e ler os reviews em sites especializados, como Mochileiros, Viaje na Viagem ou pelos grupos ou reviews nas fanpages dos locais no Facebook. 


Essas foram algumas dicas que eu pratico e que dão certo para mim. Na próxima postagem, darei algumas dicas de sites que ajudam na hora de organizar a viagem.

sábado, fevereiro 25, 2017

Um pouco mais sobre "apropriação cultural"

Antes de mais nada, tenho uma pergunta para as minhas irmãs pretas: quantos turbantes vocês arrancaram das cabeças das brancas hoje? Lembrando que temos uma cota diária a atingir! Hahaha!

Faço essa pergunta porque eu acredito que a branquitude brasileira esteja achando que nós, pretas, adquirimos um novo hobbie após o episódio da mina branca que usava turbante na rua e

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

2016 tá chato... e vai ficar mais ainda!



Este ano começou arrasando! E a galera do "mimimi" tá passando mal...

Em um mês e meio, já teve Oscar racista e alegação de racismo contra dos brancos (WTF)

Teve pai adotivo de criança negra que fantasiou o filho de macaquinho (ou como o "melhor amigo do Aladin", na inocência dele).

Teve pseudo artista  socialite chamando o cabelo afro de cantora negra de "Bombril".

Teve Diva/Deusa enfiando umas verdades goela abaixo de uma sociedade racista/machista em rede nacional E no evento mais importante da TV.

E, como sempre, teve os reclamões dizendo que o ano tá chato, que a galera tá com muito mimimi, que racismo está nos olhos de quem vê, que as feminazi estão enchendo o saco...

Para os reclamões, sinto informar que, infelizmente para vocês, a tendência é piorar.

Sabe por que? Porque as "minorias" estão percebendo que são na verdade a maioria e cansaram de tanta opressão, de ficar em segundo plano, de ter direitos desrespeitados.

Essas pessoas vão te tirar da zona de conforto, vão te mostrar que o sistema branco, hetero, religioso, machista e acolhedor que vocês sempre viveram está na corda bamba.

Você está com medo que os papéis se invertam e que você fique no lugar do oprimido? Acredite, é ruim mesmo assumir esse papel.

Minha sugestão é: crie empatia, se informe, questione seus privilégios, desconstrua.

Pode ficar tranquilo pois a partir do momento que você compreende e admite que o racismo existe, isso não quer dizer que você se tornará negro. Assim como você se tornar feminista (e não feminazi, termo mais ridículo) ou apoiar as causas LGBT não te fará menos homem ou menos hétero. Isso apenas te tornará um ser humano melhor ( e mais inteligente!).

Meu desejo para 2016 é que ele continue chatinho assim. Que incomode mais porque tá pouco!

E assistir um pouco mais minha diva/deusa nunca é demais!


quarta-feira, outubro 14, 2015

Não destrua nem deixem destruir a sua autoconfiança



Um desabafo rápido em meio a tantos rascunhos e posts que gostaria de publicar antes, mas que necessito fazer pois as palavras e o sentimento ainda estão engasgados na garganta.

Fazem 3 semanas que voltei para o Brasil depois de morar por 6 meses em Londres. Nova vida, novos desafios. Assim que desembarquei em casa, resolvi fazer o corte de cabelo que eu tanto estava desejando (logo logo posto sobre ele). 

Minha mãe gostou muito do corte! Ela mesma já teve o mesmo corte de cabelo que eu tenho agora, com a diferença de que na época ela alisava o cabelo e foi obrigada a adotar esse corte de cabelo por conta de um corte químico após o uso de tintura. 

Ontem eu tive uma entrevista de emprego e estava super animada para isso, já que fui muito mal na última entrevista. Eu já estava arrumada e com o cabelo devidamente arrumado e lindo, com os cachinhos definidos e apontando, do jeito que eu gosto e com menos volume do que eu gostaria. Pena que não tirei uma foto :/

Então minha mãe vem com o seguinte conselho: "Já que você vai a uma entrevista, não deixe seu cabelo assim todo pra cima, dá uma batidinha pra abaixar ele. Não é bom se apresentar com o cabelo todo espetado assim."

Oi? Meu cabelo é crespo! Não me peça pra "baixar" meu cabelo!

Na hora, eu respirei fundo para não soar grosseira, mas a resposta precisava ser. Apenas disse: "Eu sei que a senhora quer me ajudar, mas em relação ao meu cabelo eu peço pra senhora não se meter, pois do meu cabelo cuido eu."

Ela ficou chateada, obviamente. Ela tinha boas intenções achando que estaria me ajudando, mas aquilo só contribuiu para estragar meu humor e minar minha autoconfiança.

Lembrei da minha última tentativa de transição, quando eu havia cortado o cabelo (eu ainda anão tinha feito o bc) e ela perguntou quem tinha feito aquela m... no meu cabelo. Eu chorei e no mesmo dia comprei um pote de relaxante.

Lembrei de como minha mãe não me ensinou a aceitar e amar minhas características desde cedo. Pois desde que me entendo por gente eu alisava o cabelo com pente quente, "apertava" o nariz para deixá-lo mais fino (um dos meus sonhos era fazer rinoplastia. Hoje, fuck that). 

Eu não culpo a minha mãe. Ela é mais uma vítima na nossa sociedade racista (como tantos negros por aí). Na época dela, o racismo era ainda mais agressivo. Hoje, nós temos uma série de recursos para nos proteger, temos uma rede de informações que ajudam a quebrar tabus e a valorizar a nossa identidade. Hoje, os negros enchem o saco dos brancos e eles dizem que somos "vitimistas". Estamos nos emponderando.

Eu percebi que, no meu caso, o caminho teve que ser inverso. Eu é que tenho que ensinar à minha mãe questões sobre identidade e autoestima negra. Eu é que tenho que faze-la aceitar o cabelo que ela me deu. Eu tenho que ensiná-la que se uma empresa implicar com o meu cabelo, essa empresa é racista o bastante para não servir para mim, que eles precisam avaliar o meu CV e não o meu cabelo.

Eu vou ensinar isso aos meus filhos, e, se tiver oportunidade, à minhas sobrinhas. Ganhei autoestima e autoconfiança tarde, mas sempre soube me impor. Eu quero que eles sejam autoconfiantes desde cedo. Essa é a missão de toda mãe (e pai também) negros.