domingo, janeiro 24, 2016

Sugestão de maquiagem: o que deu certo para mim

Eu AMO maquiagem. 

Minha paixão começou na época da minha transição. Quando fiquei com o cabelo bem curtinho, quis parecer o mais feminina possível e comecei a aprender a me maquiar. Naquela época, eu assistia muitos tutoriais e lia várias resenhas. Cheguei a virar uma "expert" em maquiagem entre minhas amigas. Minha maior conquista: conseguir fazer olho esfumado! Haha!

Houve uma época que eu era a louca da maquiagem. Comprava tudo o que via pela frente, queria testar, queria possuir. Tive muitas decepções pois encontrar maquiagem certa para pele negra não é tarefa fácil. E no quesito pele negra, as gringas estavam bem mais adiantadas que as brasileiras. E o problema de acompanhar as gringas é aprender a maquiar com M.A.C., NARS, Revlon... I can't afford it! 

Até rolou de eu conseguir comprar  investir em maquiagens mais caras, mas surgiu um segundo problema: minha pele é extremamente oleosa. Muito, mas MUITO oleosa mesmo. Então fica difícil encontrar makes que não piorem a situação e que a cor sirva para o meu tom de pele.

Então, para quem tiver os mesmos problemas que eu (ou apenas tem curiosidade em saber), segue o que eu tenho usado no dia a dia e que tem dado super certo para mim:

                         

1. Primer Avon Magix (R$ 49,99)

Desde que descobri esse primer, não quis saber de outro. Ele contém proteção solar fator 20, cobertura seca e promete corrigir pequenas imperfeições da pele, como linhas de expressão e poros abertos. Gosto muito dele por causa do filtro solar e por não deixa minha pele com aquela sensação carregada, além de ajudar a fixar melhor a maquiagem. Apesar do peço um pouco alto, ele tem um ótimo rendimento (o meu tem mais de um ano!) e vira e mexe rola promoção no catálogo da Avon (no catálogo deste mês, por exemplo, o preço do Magix está na promoção por R$32,99).

2. Base Timewise acabamento matte da Mary Kay (R$59,90)

Eu sofri muito (e gastei muito dinheiro) até encontrar a base certa para mim. A Mary Kay possui uma variedade grande de tonalidades e esta linha matte é ótima para quem tem a pele oleosa. A cor que eu uso é a Bronze 4 e, assim como o Magix, ele é leve, tem uma ótima cobertura e rende bastante, portanto, vale o investimento.

3. Pó compacto Aquarela, Natura 

Fazendo esse post, descobri que a Natura vai descontinuar esse pó compacto! POR QUE????? Eu AMO esse pó! Ele é perfeito! Ele tem um ótimo acabamento, tanto que geralmente uso apenas ele, sem base mesmo. Pra minha pele oleosa, ele foi o único que serviu. Estou desolada! :( Vou correr e montar um estoque de refil até encontrar outra opção.
UPDATE: Conversei com uma revendedora e ela disse que ele continuara no catálogo! Eba!!!

4. Delineador Payot à prova d'água (R$ 21,90)

Ótimo delineador. Por ser à prova d'água, ele fica no meus olhos durante o dia todo (já experimentei outros que se diziam à prova d'água e borravam ou descascavam durante o dia). Além disso, o pincel dele é firme, resistente e não tão fino, o que facilita na hora de desenhar.


5. Lápis delineador com esfumador da Avon (R$19,90)

Gosto dele pelo simples fato de nunca ter testado outro (além de ter um preço acessível). A durabilidade dele é boa e o lápis é super pigmentado e macio, fácil de aplicar. Ótimo para quem não consegue usar um delineador líquido.

6. Rímel The Colossal Volum' Express da Maybelinne 

Favorito de 9 entre 10 mulheres, dispensa resenhas. Simplesmente maravilhoso! Melhor rímel BBB atualmente no mercado (não encontrei outro melhor ainda). 


Fiz um vídeozinho para mostrar como uma maquiagem básica deu um UP na minha cara de acabada haha! Uso quase todos os produtos listados, exceto o delineador (usei o da Primark; resenha em breve), não usei lápis de olho e o batom é o Color Trend Pop Love Chocolate, da Avon.



Quem tiver sugestões para me dar, por favor postem nos comentários ^^


sexta-feira, outubro 16, 2015

Meu novo corte de cabelo!

Sabe quando você se olha no espelho e, apesar de gostar do que vê, se sente um pouco enjoada? 

Enjoada não é a palavra exata para o que eu sentia quando me olhava no espelho. Apesar de amar o meu black, eu sentia que o meu visual estava um pouco "monótono". Além disso, meu cabelo foi apenas crescendo, ganhando algumas falhas devido ao uso excessivo de grampos e afropuffs. 

Sei que estava segundo com o projeto Esperanza Spalding, mas não ia adiantar deixar apenas o cabelo crescer sem concertar algumas falhas. Sem contar que eu estava namorando esse corte de cabelo há muito tempo!



Bom, corte que fiz chama-se tapered hair cut. Ele é um corte muito usado pelos homens (crespos ou não), mas ganhou força entre as mulheres (principalmente entre as crespas) por ser versátil, prático e muito elegante!

Eu cortei meu cabelo em casa. Estava planejando fazer isso ainda em Londres com a ajuda do namorado, mas ele estava receoso e isso me contagiou. Poderia ter ido em algum dos diversos salões afros que existem lá (porque diferente daqui, lá tem muitos salões que entendem o nosso cabelo) mas quis economizar e fazer isso eu mesma, principalmente ao encontrar diversos vídeos das gringas cortando o próprio cabelo.

Assim que desembarquei no Brasil, passei a tesoura. Devo confessar que não foi fácil. Levei dois dias para acertar o corte. Fiz tudo na tesoura e não usei maquininha pra acertar o corte. Criei uma playlist com os vídeos que me baseei. É só clicar aqui.

Gostei muito do resultado!

Os cuidados são os mesmos que eu tinha antes: hidratações semanais, método LOC para deixar o cabelo bem hidratado e saudável, evito passar óleo onde o cabelo está mais curto pois minha raiz já é muito oleosa e tenho problemas com seborreia. Fazer fitagem ficou mais fácil e rápido e não me sinto mais monótona haha!

Um vídeo muito legal sobre isso é o da Gabi Oliveira. Gosto muito do canal dela. Ela é super engraçada e espontânea.

quarta-feira, outubro 14, 2015

Não destrua nem deixem destruir a sua autoconfiança



Um desabafo rápido em meio a tantos rascunhos e posts que gostaria de publicar antes, mas que necessito fazer pois as palavras e o sentimento ainda estão engasgados na garganta.

Fazem 3 semanas que voltei para o Brasil depois de morar por 6 meses em Londres. Nova vida, novos desafios. Assim que desembarquei em casa, resolvi fazer o corte de cabelo que eu tanto estava desejando (logo logo posto sobre ele). 

Minha mãe gostou muito do corte! Ela mesma já teve o mesmo corte de cabelo que eu tenho agora, com a diferença de que na época ela alisava o cabelo e foi obrigada a adotar esse corte de cabelo por conta de um corte químico após o uso de tintura. 

Ontem eu tive uma entrevista de emprego e estava super animada para isso, já que fui muito mal na última entrevista. Eu já estava arrumada e com o cabelo devidamente arrumado e lindo, com os cachinhos definidos e apontando, do jeito que eu gosto e com menos volume do que eu gostaria. Pena que não tirei uma foto :/

Então minha mãe vem com o seguinte conselho: "Já que você vai a uma entrevista, não deixe seu cabelo assim todo pra cima, dá uma batidinha pra abaixar ele. Não é bom se apresentar com o cabelo todo espetado assim."

Oi? Meu cabelo é crespo! Não me peça pra "baixar" meu cabelo!

Na hora, eu respirei fundo para não soar grosseira, mas a resposta precisava ser. Apenas disse: "Eu sei que a senhora quer me ajudar, mas em relação ao meu cabelo eu peço pra senhora não se meter, pois do meu cabelo cuido eu."

Ela ficou chateada, obviamente. Ela tinha boas intenções achando que estaria me ajudando, mas aquilo só contribuiu para estragar meu humor e minar minha autoconfiança.

Lembrei da minha última tentativa de transição, quando eu havia cortado o cabelo (eu ainda anão tinha feito o bc) e ela perguntou quem tinha feito aquela m... no meu cabelo. Eu chorei e no mesmo dia comprei um pote de relaxante.

Lembrei de como minha mãe não me ensinou a aceitar e amar minhas características desde cedo. Pois desde que me entendo por gente eu alisava o cabelo com pente quente, "apertava" o nariz para deixá-lo mais fino (um dos meus sonhos era fazer rinoplastia. Hoje, fuck that). 

Eu não culpo a minha mãe. Ela é mais uma vítima na nossa sociedade racista (como tantos negros por aí). Na época dela, o racismo era ainda mais agressivo. Hoje, nós temos uma série de recursos para nos proteger, temos uma rede de informações que ajudam a quebrar tabus e a valorizar a nossa identidade. Hoje, os negros enchem o saco dos brancos e eles dizem que somos "vitimistas". Estamos nos emponderando.

Eu percebi que, no meu caso, o caminho teve que ser inverso. Eu é que tenho que ensinar à minha mãe questões sobre identidade e autoestima negra. Eu é que tenho que faze-la aceitar o cabelo que ela me deu. Eu tenho que ensiná-la que se uma empresa implicar com o meu cabelo, essa empresa é racista o bastante para não servir para mim, que eles precisam avaliar o meu CV e não o meu cabelo.

Eu vou ensinar isso aos meus filhos, e, se tiver oportunidade, à minhas sobrinhas. Ganhei autoestima e autoconfiança tarde, mas sempre soube me impor. Eu quero que eles sejam autoconfiantes desde cedo. Essa é a missão de toda mãe (e pai também) negros.

quinta-feira, agosto 27, 2015

Afro puff em cabelos curtos

Um dos meus penteados favoritos é o afro puff. Lembro que antes de fazer o big chop, eu sonhava com o dia em que poderia ter um afro puff também e fiquei muito feliz quando pude faze-lo pela primeira vez.

O afro puff é  o tipo de penteado coringa para muitas crespas e cacheadas. Ele é simples e mesmo assim nos salva nos bad hair days ou quando não  temos muito tempo para fazer um penteado mais elaborado e mesmo assim queremos um visual mais sofisticado. Combina com qualquer tipo de roupa, qualquer ocasião, qualquer situação.  Não é à toa que eu simplesmente amo o afro puff.

Mas, como alegria de pobre dura pouco, usar demais um afro puff também tem seus pontos negativos: você perde a criatividade e a vontade de usar outros penteados, o cabelo quebra demais ao redor da cabeça,  além de perder definição.

Quando usei o afro puff pela primeira vez, meu cabelo ainsa estava bem curto. Eu gostava na época (ainda gosto muito, na verdade) mas hoje percebo o quão curto meu cabelo estava para esse penteado.

Nós, crespas, somos muito criativas. Hoje já existem dicas de como usar um digno afro puff  mesmo com o cabelo curtinho!

Então para que  está ainda com um blackinho e quer usar um afro puff, segue esse vídeo ensinando como isso é possível. 

Enjoy!




segunda-feira, agosto 10, 2015

Sobre turbantes e apropriação cultural

Eu acompanho muitos sites, páginas e grupos no Facebook sobre militância afro e cabelo crespo. O fato é que ao se falar de cabelo crespo torna-se difícil não haver certa militância. Porque todas nós, crespas, sabemos como assumir um cabelo considerado "ruim", "de bombril", "feio", "desleixado"(entre outros tantos adjetivos que permeiam a nossa cultura racista) é um ato de rebeldia. 

Para muitas de nós, assumir o cabelo natural foi motivado por um fator estético no começo, mas com o tempo percebemos o peso político que ele tem. Estamos batendo de frente com o padrão eurocêntrico que existe em nossa sociedade racista.

Sim, nossa sociedade brasileira é ainda muito racista. É o tipo de sociedade que tenta de toda forma apagar as marcas de luta do povo negro. Podemos ver isso em discursos como "o sistema de cotas é a afirmação do próprio racismo", "se tem feriado para a consciência negra deveria ter para as outras raças", "negro vê racismo em tudo", etc (os próprios negros repetem isso). Ou a nossa atitude ao celebrar a representatividade quando não deveríamos nos surpreender ao ver negros bem sucedidos e ocupando espaço na mídia. 

Um dia desses, vi uma postagem de uma colega no Facebook indignada com um artigo de uma blogueira negra criticando os brancos que se apropriam da cultura afro usando turbantes como ícones de moda. Ela é estilista e achava ridículo o argumento de que só negros poderiam usar turbantes. Afinal, turbantes são usados por diversos povos, não só pelos povos africanos.

Ok, ela está certa em certo ponto. Povos do Oriente Médio e da Índia usam turbantes. Não povos brancos. Porém, assim como os ignorantes que não compreendem o porquê de o sistema de cotas ser importante para nós, ela não sabe porque hoje, no ano de 2015, com os avanços tecnológicos, nós, negros, voltamos a usar turbantes fora dos terreiros, fora das senzalas.

Deixa eu contar uma historinha que diz muito sobre o atual mimimi branco:

No final do século XVIII, os turbantes foram usados para tentar repreender mulheres de ascendência africana livres no estado de Louisiana, Estados Unidos. Naquela época a beleza, a maneira como elas arrumavam os cabelos naturais, a vestimenta e os bons modos que tinham atraíam bastante a atenção masculina e despertavam cada vez mais o ciúme das mulheres brancas. 

Como forma de “restabelecer a ordem”, o governador criou uma série de normas conhecidas como “Leis Tignon” por ter como principal determinação que mulheres afrodescendentes, livres ou não, passassem a usar o tignon (um tipo de turbante) para cobrir os cabelos. O que era para ser uma tentativa de fazer distinção de classes e desonra-las teve p efeito contrário: os turbantes viraram itens de beleza graças à criatividade e imaginação destas mulheres.

Eis que a história se repete aqui. Nos livramos da ditadura da chapinha e redescobrimos a beleza e a força dos nossos cabelos afro e dos turbantes. É revolucionário aceitar algo que na nossa cultura sempre foi considerado "inapropriado" ao ponto de fazer com que os próprios negros sentissem vergonha. Nós não fomos os únicos a ver beleza na africanidade. 

Cabelo crespo, turbantes, estampas e acessórios étnicos são tão lindos e legais que a indústria branca quis transformar em "moda" pois, sendo moda, qualquer um pode usar. E como toda moda, um dia deixa de ser cool para ser brega. Isso é uma forma de banalizar a nossa conquista. 

Essa imagem que achei no facebook pode resumir o que eu quero dizer. Enquanto os brancos acharem que podem usar turbante sem entender o significado que ele tem para a nossa identidade, para as nossas raízes, ele estará apenas usando um lenço amarrado na cabeça. A modinha vai passar para vocês. Nossa resistência permanecerá.