quinta-feira, agosto 27, 2015

Afro puff em cabelos curtos

Um dos meus penteados favoritos é o afro puff. Lembro que antes de fazer o big chop, eu sonhava com o dia em que poderia ter um afro puff também e fiquei muito feliz quando pude faze-lo pela primeira vez.

O afro puff é  o tipo de penteado coringa para muitas crespas e cacheadas. Ele é simples e mesmo assim nos salva nos bad hair days ou quando não  temos muito tempo para fazer um penteado mais elaborado e mesmo assim queremos um visual mais sofisticado. Combina com qualquer tipo de roupa, qualquer ocasião, qualquer situação.  Não é à toa que eu simplesmente amo o afro puff.

Mas, como alegria de pobre dura pouco, usar demais um afro puff também tem seus pontos negativos: você perde a criatividade e a vontade de usar outros penteados, o cabelo quebra demais ao redor da cabeça,  além de perder definição.

Quando usei o afro puff pela primeira vez, meu cabelo ainsa estava bem curto. Eu gostava na época (ainda gosto muito, na verdade) mas hoje percebo o quão curto meu cabelo estava para esse penteado.

Nós, crespas, somos muito criativas. Hoje já existem dicas de como usar um digno afro puff  mesmo com o cabelo curtinho!

Então para que  está ainda com um blackinho e quer usar um afro puff, segue esse vídeo ensinando como isso é possível. 

Enjoy!




segunda-feira, agosto 10, 2015

Sobre turbantes e apropriação cultural

Eu acompanho muitos sites, páginas e grupos no Facebook sobre militância afro e cabelo crespo. O fato é que ao se falar de cabelo crespo torna-se difícil não haver certa militância. Porque todas nós, crespas, sabemos como assumir um cabelo considerado "ruim", "de bombril", "feio", "desleixado"(entre outros tantos adjetivos que permeiam a nossa cultura racista) é um ato de rebeldia. 

Para muitas de nós, assumir o cabelo natural foi motivado por um fator estético no começo, mas com o tempo percebemos o peso político que ele tem. Estamos batendo de frente com o padrão eurocêntrico que existe em nossa sociedade racista.

Sim, nossa sociedade brasileira é ainda muito racista. É o tipo de sociedade que tenta de toda forma apagar as marcas de luta do povo negro. Podemos ver isso em discursos como "o sistema de cotas é a afirmação do próprio racismo", "se tem feriado para a consciência negra deveria ter para as outras raças", "negro vê racismo em tudo", etc (os próprios negros repetem isso). Ou a nossa atitude ao celebrar a representatividade quando não deveríamos nos surpreender ao ver negros bem sucedidos e ocupando espaço na mídia. 

Um dia desses, vi uma postagem de uma colega no Facebook indignada com um artigo de uma blogueira negra criticando os brancos que se apropriam da cultura afro usando turbantes como ícones de moda. Ela é estilista e achava ridículo o argumento de que só negros poderiam usar turbantes. Afinal, turbantes são usados por diversos povos, não só pelos povos africanos.

Ok, ela está certa em certo ponto. Povos do Oriente Médio e da Índia usam turbantes. Não povos brancos. Porém, assim como os ignorantes que não compreendem o porquê de o sistema de cotas ser importante para nós, ela não sabe porque hoje, no ano de 2015, com os avanços tecnológicos, nós, negros, voltamos a usar turbantes fora dos terreiros, fora das senzalas.

Deixa eu contar uma historinha que diz muito sobre o atual mimimi branco:

No final do século XVIII, os turbantes foram usados para tentar repreender mulheres de ascendência africana livres no estado de Louisiana, Estados Unidos. Naquela época a beleza, a maneira como elas arrumavam os cabelos naturais, a vestimenta e os bons modos que tinham atraíam bastante a atenção masculina e despertavam cada vez mais o ciúme das mulheres brancas. 

Como forma de “restabelecer a ordem”, o governador criou uma série de normas conhecidas como “Leis Tignon” por ter como principal determinação que mulheres afrodescendentes, livres ou não, passassem a usar o tignon (um tipo de turbante) para cobrir os cabelos. O que era para ser uma tentativa de fazer distinção de classes e desonra-las teve p efeito contrário: os turbantes viraram itens de beleza graças à criatividade e imaginação destas mulheres.

Eis que a história se repete aqui. Nos livramos da ditadura da chapinha e redescobrimos a beleza e a força dos nossos cabelos afro e dos turbantes. É revolucionário aceitar algo que na nossa cultura sempre foi considerado "inapropriado" ao ponto de fazer com que os próprios negros sentissem vergonha. Nós não fomos os únicos a ver beleza na africanidade. 

Cabelo crespo, turbantes, estampas e acessórios étnicos são tão lindos e legais que a indústria branca quis transformar em "moda" pois, sendo moda, qualquer um pode usar. E como toda moda, um dia deixa de ser cool para ser brega. Isso é uma forma de banalizar a nossa conquista. 

Essa imagem que achei no facebook pode resumir o que eu quero dizer. Enquanto os brancos acharem que podem usar turbante sem entender o significado que ele tem para a nossa identidade, para as nossas raízes, ele estará apenas usando um lenço amarrado na cabeça. A modinha vai passar para vocês. Nossa resistência permanecerá. 
 









terça-feira, julho 14, 2015

Resenha: Shampoo Mane'n Tail


Antes de falar sobre a minha experiência com o Mane'n Tail, preciso contar um pouco a história desse shampoo. 

O Mane'n Tail é um shampoo bastante conhecido e polêmico. Ele é famoso por ser um shampoo que, além de deixar os cabelos mais fortes e brilhosos, também acelera o crescimento. A polêmica se deve ao fato de que o Mane'n Tail ter sido inicialmente desenvolvido para ser usado para lavar cavalos. Isso mesmo, CAVALOS. Não é à toa que o produto se chama "Crina e Cauda" traduzindo para o português. 

Um belo dia, alguém reparou que os cavalos tinham a crina e o rabo brilhante e sedoso, ficou com inveja e decidiu usar para lavar os cabelos. Então, o uso do produto se popularizou como cosmético humano. Mas isso aconteceu há muitos anos atrás. O produto foi adaptado para uso humano, ou seja, não há na composição algo que seja prejudicial para as pessoas. Se assim fosse, não seria vendido em perfumarias ou liberado por órgãos regulamentadores como o FDA.

Eu lembro de ter visto alguns shampoos com cavalos estampados na embalagem. Lembro que usei uma vez um "shampoo pra cavalo" na época em que eu ainda relaxava o cabelo e não lembro de ter sido tao feliz com o resultado de um shampoo (também não  lembro a marca do produto). Não sei se o shampoo que usei era realmente um shampoo para cavalo, mas é sabido que muitas marcas se aproveitaram do sucesso do Mane'n Tail para usar a beleza da crina do cavalo como apelo de marketing.

Obs.: Eu particularmente não vejo problema em usar produtos de uso veterinário, desde que estes não sejam prejudiciais aos humanos. Existe todo um tabu relacionado à denominação "para animais", "uso veterinário", etc, mas existem tantos produtos com compostos realmente prejudiciais para humanos que são vendidos e usados indiscriminadamente (formol, por exemplo).  Eu já usei o Monovin A, que também é usado em cavalos e adorei o resultado (veja resenha aqui). 

O Mane'n Tail era um dos produtos na minha lista de "sonhos de consumo". Eu nunca achei esse produto no Brasil mas encontrei em Londres e tratei de comprar a embalagem tamanho família. O frasco de 946 ml custou £4,99 - cerca de R$ 25 - na Pak's. Descobri depois que existem diversas versões do shampoo. Aliás, existe uma linha completa com condicionadores, leave-ins, pomadas e até produtos para o corpo. A minha é a versão original (Mane'n Tail and body).



Bom, eu queria acelerar o crescimento do cabelo e obter viço. Lavo os cabelos alternadamente, cerca de 2 a 3 vezes por semana e tenho usado o Mane'n Tail por 3 meses. 

Características do produto:

  • Por conter sulfatos, não é recomendado para quem faz no poo. 
  • Shampoo perolado e de textura cremosa.
  • Cheiro muito suave que não permanece no cabelo.
  • Faz muuuuita espuma.
O que eu observei nesse três meses de uso:

  • Crescimento: meu cabelo está mais cheio, mas não sei se o Mane'n Tail contribuiu de fato para isso.
  • Estrutura: meu cabelo continua muito fino e frágil.
  • Aparência: meu cabelo continua opaco. Não notei nenhuma diferença na aparência após o uso do shampoo.
Observações gerais: 

Esse shampoo resseca muito o meu cabelo, por isso evito de usá-lo ao máximo. Não noto nenhuma diferença positiva após lavar o cabelo. O que salva o meu blackinho são os produtos que uso após a lavagem, como condicionadores, hidratantes e óleos vegetais.

Acho que ele é muito forte para cabelo crespo como o meu. Por isso, adicionei um pouco de água pra ver se ele fica mais fraco e de fato senti mudanças no meu cabelo após as lavagens. 

Compraria de novo? Não.

domingo, julho 12, 2015

Inversao capilar funciona?

Estava eu pesquisando sobre métodos para acelerar o crescimento do cabelo quando notei que muitos sites e videos falando sobre a Inversão Capilar. Eu já havia ouvido falar sobre a técnica, mas nunca me interessei de fato em entende-la.

Para quem não conhece, a inversão capilar  consiste em "enganar o couro cabeludo"  para acelerar o crescimento dos cabelos. Para isso, é preciso seguir alguns passos:

1. Massagear o couro cabeludo suavemente com algum óleo vegetal natural de sua preferencia por alguns minutos.;
2. Após a massagem, ficar de cabeça pra baixo (isso mesmo,  de ponta-cabeça) por 5 minutos.
3. O mais importante: a inversão capilar só pode ser feito apenas durante 7 dias seguidos. Após  esse período, deve-se fazer a pausa de 1 mês.

Por que a pausa? Por que a inversão capilar pretende fazer com que mais sangue circule pelo couro cabeludo através das massagens e da posição da cabeça. Se sempre fizermos isso, o couro cabeludo se acostuma e o crescimento deixa de ser acelerado.

Mas quantos centímetros o cabelo cresce normalmente?

É sabido que os cabelos crescem em media 1 cm por mês na maioria das pessoas (esse não deve ser o meu caso). A inversão capilar promete um crescimento de 1 cm em uma semana!

Tentador, não?  Foi for isso que eu tentei. Fiz massagens todas as noites antes de dormir e enfrentei olhares de  "WTF" do namorado por 7 dias seguidos.

Resultado? Para mim, nenhum. A única coisa boa foi que meu cabelo ficou mais hidratado com as umectações diárias.

Conclusão:

Inversão capilar = MITO 

Primeiros contratempos no projeto


Este é o primeiro mês que iniciei o meu Projeto Esperanza Spalding e já enfrento um grande problema...


Meu cabelo é extremamente fino e quebra com muita facilidade. Apesar de estar consciente disso, eu não sou muito delicada com ele na hora de manuseá-lo. Resultado: muita quebra.

Mas o pior é o que o uso excessivo do afro-puff causou no meu blackinho. Algumas áreas do meu cabelo estão com buracos, ou seja, houve uma grande quebra em áreas onde eu amarro a faixa. Eu uso uma meia de nylon para amarrar meu cabelo. No inicio, preciso amarrar forte e quando o cabelo seca, eu deixo o laço mais frouxo.

Tento evitar ao máximo fazer afro-puff mas só esse penteado me ajuda nos bad-hair days ou quando estou sem tempo de fazer fitagem. Além disso, como os buracos ficavam visíveis na lateral e na parte de trás do cabelo, o melhor jeito de esconder isso é usando afro-puff. Ou seja, tá difícil solucionar o problema!

Sei que o melhor a fazer é parar de fazer coisas que danifiquem o meu cabelo, mas para usar meu black completamente solto, precisaria afrranjar outro jeito de disfarçar os buracos. A única solução que encontrei foi cortar o cabelo. 

Sim, cortei um pouquinho. Sei que havia prometido não mais cortar, mas foi preciso. Aparei um pouco nas laterais e bastante atrás.

O que acontece quando você começa a cortar seu próprio cabelo é que você não consegue mais parar! Cada vez que olho no espelho vejo algum defeito que quero consertar. Já pensei ate em fazer um "BC" de novo! Hahaha!

Mas aparar o cabelo já ajudou um pouco. Agora é possível usa-lo solto e disfarçar os buracos com presilhas, grampos ou faixas, como na foto. Mas temo que o grampo ajude a quebrar ainda mais o cabelo.

Pretendo adotar algumas medidas para evitar que meu cabelo quebre novamente, como fazer mais uso de faixas e turbantes, usar penteados protetores, etc.

Vamo que vamo!